AEPAD alerta: A Crise Invisível no Apoio Domiciliário
No recente episódio do programa “Sociedade Civil”, o apresentador Luís Castro trouxe à luz uma questão crítica que afeta milhares de famílias portuguesas: a falta de auxiliares qualificados no setor do Apoio Domiciliário.
A AEPAD, Associação Nacional de Empresas Privadas de Apoio Domiciliário, foi convidada a participar na discussão deste tema, fazendo-se representar pelo membro da direcção da AEPAD, Lara Gameiro, que desmistificou a ideia de que faltam apenas “mãos para trabalhar”. O problema, segundo a AEPAD, é muito mais profundo e estrutural.
Os Principais Desafios do Setor
A entrevista destacou quatro pilares que sustentam a atual crise no setor:
- Qualificação vs. Boa Vontade: Lara Gameiro enfatizou que cuidar de um idoso ou de uma pessoa dependente exige competências técnicas e emocionais. É necessária formação para lidar com demências, transferências físicas seguras e gestão de medicação.
- Desvalorização Salarial e Social: A profissão sofre com baixos salários e pouca valorização, o que leva ao abandono da carreira e à dependência crescente de mão de obra imigrante, que muitas vezes vê o setor como uma ocupação temporária por necessidade financeira.
- Abandono das Famílias: Foi denunciada pela AEPAD, a falta de apoio estatal direto às famílias que optam por manter os seus entes queridos em casa. Sem subsídios ou redes de suporte acessíveis, muitas famílias tornam-se “reféns” de soluções precárias ou ilegais.
- Legislação Obsoleta: A legislação que regula o Apoio Domiciliário em Portugal data de 1989. Em quase quatro décadas, a sociedade envelheceu drasticamente, mas as leis não acompanharam essa evolução.
Por que a Qualificação é Urgente?
A diretora da AEPAD sublinhou que um auxiliar qualificado é um agente de saúde pública. Ao detetar problemas de saúde precocemente, estes profissionais evitam idas desnecessárias às urgências e internamentos hospitalares, aliviando o próprio Serviço Nacional de Saúde. Além disso, a técnica correta previne lesões físicas nos próprios cuidadores, como problemas de coluna.
O Caminho para o Futuro
A mensagem final da entrevista foi clara: é necessário um pacto entre as associações do setor e o Estado. A AEPAD reafirmou a sua disponibilidade para colaborar na dignificação da profissão, na atualização da lei e na criação de mecanismos que garantam segurança e qualidade de vida tanto para quem cuida, quanto para quem é cuidado.
